quinta-feira, 31 de maio de 2018

A verdade sobre o despejo do Acampamento Nova Jerusalém/Fazenda Canta Ga...

A verdade sobre o despejo do Acampamento Nova Jerusalém/Nova Serrana/MG da Fazenda Canta Galo: Desrespeito à dignidade humana. 2ª Parte.  11/5/2018.

Depoimentos indignados e comoventes de acampados no Acampamento Nova Jerusalém, município de Nova Serrana, centro-oeste de MG, e graves denúncias de morador de Nova Serrana confirmam o que já se suspeitava ser os verdadeiros motivos do despejo das mais de 100 famílias da Ocupação-Comunidade Nova Jerusalém, da Fazenda Canta Galo, em Nova Serrana, no dia 26/4/2018. Com o despejo, a área, até então ocupada pelas famílias, há 6 anos, com plantações e moradias,  foi totalmente entregue ao gado de aliados dos Prefeitos envolvidos na ação de reintegração de posse da fazenda, que é de propriedade  do Governo de Minas Gerais, cedida ao município de Nova Serrana, com o argumento de que ali seria construída um Aterro Sanitário.  O terreno é cheio de nascentes,  ao lado do rio Pará, que é afluente do rio São Francisco. A Área é de Preservação Ambiental e, logicamente, não pode ser destinada a “Lixão”, aterro sanitário.  Vivendo há 3 semanas no Acampamento na beira do rio Pará, as famílias estavam expostas a doenças, ao frio, às mais diversas necessidades e dificuldades. Além do despejo covarde e injusto que sofreram, tiveram retirados seus pertences, como colchões, mantimentos, roupas, utensílios, móveis, medicamentos, entre outros e nada até agora lhes foi devolvido.  Uma grande violência contra essas famílias! Uma injustiça que clama ao céu!

Obs.: O Governo de Minas prometeu às famílias que lhes daria uma resposta, uma posição. Depois de 3 semanas no Acampamento, sem nenhuma posição do Governo, no dia 24/5/2018 as famílias decidiram reocupar  Fazenda Canta Galo, determinadas a lutar por suas moradias (algumas já demolidas, outras arrombadas) e pela terra, que lhes pertence, por direito.

*Reportagem em vídeo de frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, da Equipe de Comunicação do CPT-MG. Nova Serrana/MG, 11/5/2018.

* Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander e assista a outros vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar, compartilhe. Sugerimos.



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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Camponeses na luta por terra, teto e pão, em Nova Serrana, MG. Acamp. N...

Camponeses na luta por terra, teto e pão, no Acampamento Nova Jerusalém, em Nova Serrana/MG:  11/5/2018.

Acampadas na beira do rio Pará, passando pelas mais diversas necessidades e dificuldades, expostas ao frio e a doenças, as famílias do Acampamento Nova Jerusalém, trazem no semblante e na voz, as marcas da indignação pela covardia e pela injustiça do despejo a que foram submetidas, depois de mais de seis anos vivendo na fazenda Canta Galo, de propriedade do Governo Estadual, mas cedida à prefeitura de Nova Serrana.  Não só foram expulsas da terra que lhes garantia moradia, sustento e dignidade, como também tiveram retirados seus pertences, suas criações, deixando-lhes totalmente desprovidos do básico necessário para sua sobrevivência diária. Nesse vídeo, o depoimento de moradores e a manifestação de sua indignação contra o Governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel,  e os Prefeitos de Nova Serrana e Pitangui, responsáveis diretos pela situação em que se encontram, tanto pela ação judicial impetrada pedindo a reintegração de posse do terreno, como pela omissão na assistência a que têm direito.  O TJMG também desrespeitou a Constituição, a dignidade humana, o direito a terra e a função social da propriedade, ao mandar despejar 120 famílias sem alternativa digna prévia.

Obs.: Acampadas na beira do Rio Pará, depois de 3 semanas aguardando uma posição do Governo de Minas Gerais, que não se dignou ainda em autorizar as famílias a retornar para a fazenda Canta Galo, as famílias decidiram reocupar a Fazenda Canta Galo e pra lá retornaram no dia 24/5/2018, determinadas a lutar por suas moradias e pela terra que, por direito, lhes pertence.
*Reportagem em vídeo de frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, da Equipe de Comunicação do CPT-MG. Nova Serrana/MG, 11/5/2018.

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terça-feira, 29 de maio de 2018

Programa Brasil das Gerais sobre a Luta pela Reforma Agrária, com frei Gilvander Moreira e Gue Oliveira, dia 16-3-2018.

Programa Brasil das Gerais sobre a Luta pela Reforma Agrária, com frei Gilvander Moreira e Gue Oliveira, dia 16-3-2018.




Autonomia energética e alimentar é o caminho


Autonomia energética e alimentar é o caminho
Por Gilvander Moreira[1]


Durante toda a greve dos caminhoneiros, a partir do dia 21 de maio de 2018 no Brasil, que levou ao desabastecimento dos CEASAs, de muitos supermercados e impôs a paralisação da maioria dos automóveis nas garagens, recordei-me o tempo todo, com saudade, de Marcelo Guimarães Mello. Além de ter tido a alegria de conhecê-lo e me tornar seu amigo, aprendi com ele o caminho para a superação da dependência energética e alimentícia imposta ao povo brasileiro pelo Estado Brasileiro acumpliciado ao capital internacional, primordialmente especulativo. De forma apaixonada, com grande competência técnica e com a sabedoria dos camponeses, Marcelo Guimarães, ao longo de 20 anos, pesquisou muito e colocou em prática um protótipo que viabiliza a autonomia energética e alimentar com tecnologia social e preservação ambiental, gerando energia, produção de alimentos saudáveis sem agrotóxicos e construindo autonomia energética. Marcelo dizia com alegria: “Há mais de 25 anos, eu, minha família e alguns amigos andamos de automóvel sem ter que parar em nenhum posto de gasolina para abastecer. Eu mesmo produzo minha energia e os alimentos que chegam à cozinha da minha casa”.
Marcelo Guimarães era geólogo e entrou para a história como o criador de um projeto de autodesenvolvimento com soberania e autonomia do campesinato por meio de microdestilaria de álcool consorciado com a produção de alimentos em propriedade camponesa da terra. Junto com Bautista Vidal, Marcelo Guimarães foi fundador da Escola da Biomassa. Em 2007, Marcelo Guimarães concedeu entrevista ao Beto Almeida para a TV Educativa do Paraná, em sua pequena propriedade – fazenda Jardim - no município de Mateus Leme, distante 75 quilômetros de Belo Horizonte, MG. O principal projeto criado por ele trata-se do sistema de Unidade Geradora de Energia e Alimentos (UNIGEA), que qualifica pequenas propriedades rurais para a produção combinada de bioetanol, recursos florestais e alimentos orgânicos de origem animal e vegetal, conforme o modelo implantado na fazenda Jardim, pequena propriedade dele e de sua família.
Em síntese, na sua pequena propriedade, Marcelo Guimarães produzia, em um alambique (microdestilaria), etanol, álcool, pinga e rapadura, a partir de um pequeno canavial. Com o bagaço da cana ele alimentava dezenas de vacas que produziam leite, queijo, requeijão, manteiga, doce etc.. Com o esterco das vacas uma grande horta era adubada, garantindo, assim, uma significativa produção de verduras, legumes e frutas. Uma pequena área plantada de eucalipto garantia a lenha necessária para funcionar o forno da caldeira da microdestilaria. “Aqui não se perde nada. Com o bagaço eu alimento o gado ... O álcool brota da terra e do trabalho humano”, dizia Marcelo. Assim se cria um ciclo de autodesenvolvimento com autossustentabilidade.
O Sistema de Unidade Geradora de Energia e Alimentos (UNIGEA) é a implantação de MICROUSINAS de baixo custo e de alto valor agregado para que microdestilarias e pequenos alambiques produzam além da cachaça, álcool combustível, açúcar mascavo, a rapadura, o melado, o adubo orgânico, biodefensivos, sementes e mudas para agroreflorestamento, gerando alimentos, energia e alimentação do gado, sem poluição e nem degradação do meio ambiente.
A implantação do sistema UNIGEA poderá interferir de maneira positiva no campo brasileiro, pois viabilizará a geração de trabalho e renda nas pequenas propriedades que vivem da agricultura familiar. A operação de todo o sistema é muito simples, podendo ser efetuada por qualquer trabalhador rural, após simples treinamento.
Com seis hectares de cana, um produtor ou um grupo de pequenos agricultores, poderão produzir até 200 litros de álcool por dia, gerando emprego e renda para as famílias. Nesse sentido identificamos o desenvolvimento da referida proposta como de importância estratégica para o país, pois é preferível que muitos pequenos produtores produzam energia do que apenas alguns grandes produzam a mesma energia. Com muitos pequenos agricultores produzindo em pequenas áreas, o meio ambiente é contemplado no sentido de barrar as monoculturas da cana, do eucalipto, da soja e do capim, com utilização massiva de agrotóxicos e adubos nitrogenados, diminuir o desmatamento em função do consumo de lenha para uso doméstico e recuperação de áreas degradadas e implementação da agropecuária agroecológica pela utilização de adubos orgânicos. Esse ciclo desencadeia a melhoria da qualidade das terras e tende a aumentar a produtividade, pois uma propriedade que produzia apenas uma mercadoria no sistema de monocultura, pode produzir também o álcool e adubo orgânico de forma eficiente e econômica. Vale ressaltar também que o pequeno produtor, principalmente no norte de Minas Gerais, já está muito familiarizado com o setor de leite e cachaça, sendo a retirada de leite e os equipamentos de alambique como fornalha, dorna e moenda, de seu pleno conhecimento e utilização.
A implantação do projeto UNIGEA melhora o processo de produção de álcool em microdestilarias instaladas em pequenas propriedades rurais; fixa a família camponesa em sua propriedade; gera renda para pequenas famílias que vivem da agricultura a partir da produção do álcool, cachaça, rapadura, melado, açúcar mascavo, adubo orgânico, biogás etc.; produz produtos caseiros, tais como, compotas, frutas desidratadas (calor do vaporizador), queijo etc.; melhora sua propriedade, na recuperação de áreas degradadas com o adubo orgânico ou o biofertilizante; melhora a alimentação utilizando o adubo orgânico ou o biofertilizante em sua própria horta e consequentemente melhorando a sua saúde e de sua família; melhora a qualidade de vida do campesinato, pois, adquire dignidade e segurança ao trabalhar e produzir vários produtos em sua propriedade.  Enfim, gera trabalho, alimento e energia, elementos fundamentais para o sustento e desenvolvimento da humanidade, mas também privilégio e responsabilidade de um país tropical como o Brasil. Por esse caminho o Brasil poderá crescer de baixo para cima. Para o projeto UNIGEA ser implementado é óbvio que se faz necessário realizar a reforma agrária e conquistarmos política agrícola que realmente fomente mais a agricultura familiar que o agronegócio. Avisados pela greve dos caminhoneiros, é vital seguirmos por outro caminho: não o de um Governo com Petrobrás vassala do capital internacional, mas o da reforma agrária com agricultura familiar com microdestilarias aos milhares, produzindo energia e alimentos saudáveis, o que nos traz autonomia e soberania.
As ideias do Marcelo Guimarães devem ser implementadas de baixo para cima”, alerta José Guilherme. O legado político emancipador de Marcelo Guimarães é imenso. Cito aqui algumas afirmações que ouvi dele e que são estrelas luzentes no nosso caminho: “Exportar matéria-prima nunca foi solução para o povo brasileiro”. “O grande problema do mundo tropical são as monoculturas. A pior delas é a pecuária, depois o eucalipto e a soja”. “Não adianta falar de cidadania se não se tem soberania”. “Se as plantations dominarem o país, acabou o Brasil”. “O dinheiro necessário para construir uma refinaria de petróleo, que gera 7 mil empregos, dá para construir 100 mil microdestilarias que geram 1 milhão de empregos e autonomia para milhões de pessoas”. “Enquanto os governos não fazem o que precisa ser feito, vamos de baixo para cima com o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e com os milhares de assentados do MST”. “Nós temos tudo – terra, clima e povo trabalhador – e vamos continuar escravos?” Muito mais está no livro dele: BIOMASSA - Energia dos Trópicos em Minas Gerais, Belo Horizonte: FAFICH, 2001.
A greve dos caminhoneiros demonstrou para o povo brasileiro que Marcelo Guimarães de Mello tinha, tem e terá sempre razão ao construir e mostrar na prática a pertinência e a viabilidade da Unidade Geradora de Energia e Alimentos (UNIGEA) (), caminho de autonomia energética e alimenta que respeita a natureza.

Belo Horizonte, MG, 29/5/2018.

Obs. 1: Mais informações sobre o sistema UNIGEA (unidade geradora de energia e alimentos) no blog, abaixo:

Obs. 2: Os vídeos, abaixo, ilustram o texto, acima.

1)   Energia renovável 1/6 – Entrevista com Marcelo Guimarães Mello

2)   Energia renovável 2/6 - Entrevista com Marcelo Guimarães Mello

3)   Energia renovável 3/6 - Entrevista com Marcelo Guimarães Mello

4)   Energia renovável 4/6 – Entrevista com Marcelo Guimarães Mello

5)   Energia renovável 5/6 – Entrevista com Marcelo Guimarães Mello

6)   Energia renovável parte 6/6 com Marcello Guimarães

7)   Documentário Carta 7 - sinopse

8)   Mini destilaria de álcool – Reportagem do MGTV



[1] Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; mestre em Exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, Itália; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; assessor da CPT, CEBI, SAB e Ocupações Urbanas. 
www.twitter.com/gilvanderluis – Facebook: Gilvander Moreira III


segunda-feira, 28 de maio de 2018

Terra para gado e não para camponeses. Ocupação Nova Jerusalém em Nova S...

Terra e moradia entregues aos bois. Que injustiça! Na Ocupação Nova Jerusalém, em Nova Serrana, MG. 27/5/2018.

As famílias da Ocupação-Comunidade Nova Jerusalém reocuparam, dia 24/5/2018, a Fazenda Canta Galo, em Nova Serrana, região centro-oeste de Minas Gerais, da qual foram despejadas, injustamente, dia 26/4/2018. Desde essa data aguardando uma posição do Governo do Estado de Minas Gerais, acampadas nas margens do rio Pará, expostas ao frio intenso e a doenças, passando por necessidades diversas, as famílias decidiram pela reocupação, retornando ao que restou de suas moradias e à terra que por direito lhes pertence. A ordem judicial de  reintegração de posse concedida à Prefeitura  de Nova Serrana, sob o argumento (absurdo) de que a área seria destinada ao  Consórcio Intermunicipal de Aterro Sanitário, e ali seria instalado esse Aterro (Lixão), na verdade atendeu a interesses particulares dos Prefeitos e seus afetos, já que, com o despejo das famílias, a área que ocupavam continua totalmente disponibilizada aos bois de aliados de prefeitos. Toda a plantação, todos os alimentos produzidos pelas famílias que ali estavam há mais de seis anos, foram destruídos e muitas de suas casas foram arrombadas e/ou demolidas, embora a decisão judicial exigisse a preservação das casas.  A pergunta feita por uma moradora da Ocupação é também de toda a Rede de Apoio, e exige uma resposta do Poder Público: “O que é mais importante pra vocês: um ser humano ou um boi?”

*Filmagem feita por Luciana, moradora da Ocupação-Comunidade Nova Jerusalém, em Nova Serrana/MG. Apoio: Frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, da Equipe de Comunicação da CPT-MG. Nova Serrana/MG, 27/5/2018.

* Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander e assista a outros vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar, compartilhe. Sugerimos.



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domingo, 27 de maio de 2018

Acampamento Cigano de São Pedro, em Ibirité/MG: A Voz da Mulher por resp...

Acampamento Cigano de São Pedro, em Ibirité/MG: A Voz da Mulher pelo direito à terra e à moradia, por respeito à dignidade humana. 26/5/2018.

As 12 famílias do Acampamento Cigano de São Pedro, em Ibirité, região metropolitana de Belo Horizonte, vivem momentos de angústia e tensão, sob ameaça iminente de despejo, com liminar de reintegração de posse concedida à Prefeitura do município,  pela 1ª Vara Cível de Ibirité. Essa determinação judicial é injusta, inconstitucional e fere gravemente o Estatuto dos Povos Ciganos, que garante a essas famílias o direito inviolável  de seus acampamentos, onde pousam em  moradia. O terreno onde encontram-se acampadas há, aproximadamente, 7 anos, estava ocioso, abandonado,  sem cumprir qualquer função social, e servia para depósito de lixo e entulhos. Ao contrário do que afirma a Prefeitura, não se trata de área verde. Se assim fosse, como se justifica a pretensão da doação do terreno, pela Prefeitura, a duas empresas?  Ao requerer o despejo dessas 12 famílias, entre elas, crianças, jovens e idosos, a Prefeitura não ofereceu nenhuma alternativa prévia digna de terreno adequado para seu acampamento, evidenciando o desrespeito e o descaso do Poder Público para com essa Comunidade Cigana, comunidade tradicional. Omitindo-se de sua obrigação governamental de zelar pelo bem comum e, nesse caso em particular, de desenvolver políticas públicas voltadas também para a Comunidade Cigana, a Prefeitura de Ibirité reforça a discriminação, a violência social e moral, a exclusão do Povo Cigano; práticas que devem ser combatidas por toda a sociedade e que são inadmissíveis, sobretudo, por parte dos que assumem a gestão pública. Nesse vídeo, a voz da mulher pelo direito à terra e à moradia das famílias do Acampamento Cigano de São Pedro, em Ibirité,MG, e por respeito à sua dignidade humana, com os depoimentos indignados de Valdinalva Barbosa Caldas, liderança dessa Comunidade Cigana,  e da Professora Dra. Alenice Baeta, Historiadora e Arqueóloga, do CEDEFES (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva). 

* Filmagem de Valdinalva Barbosa Caldas, do Acampamento Cigano de São Pedro, e da Professora Dra. Alenice Baeta, do CEDEFES (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva). Apoio: Frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, da Equipe de Comunicação da CPT/MG.

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sábado, 26 de maio de 2018

Acampamento Cigano São Pedro: clamor por terra e direitos, em Ibirité/MG...

Acampamento Cigano São Pedro: clamor dos ciganos por terra e direitos, em Ibirité/MG. 25/5/2018.

Há, aproximadamente, 7 anos, ocupando um terreno que estava abandonado, coberto por lixo e entulhos, a Comunidade Cigana do Acampamento Cigano São Pedro, em Ibirité, região metropolitana de Belo Horizonte/MG, encontra-se sob ameaça iminente de despejo, com liminar de reintegração de posse concedida pelo Juiz Omar, da 1a Vara Cível de Ibirité à Prefeitura do município.  Essa ação da Prefeitura contradiz o compromisso assumido com a Comunidade Cigana de que lhes seria assegurado um local com infraestrutura adequada para sua permanência. É inadmissível que essa reintegração de posse tenha como objetivo a doação do terreno para duas empresas, sem garantir terreno adequado para as famílias ciganas que ali estão, sem a responsabilidade governamental de lhes oferecer outro espaço adequado para seu acampamento. O povo cigano, comunidade tradicional e  cultura milenares, tem que ter respeitada sua dignidade, seus direitos e devem ser tratados com o devido respeito pelo Poder  Público.  A Rede de Apoio, formada pelo CEDEFES (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva), pela CPT-MG (Comissão Pastoral da Terra), pela Associação Nacional das Etnias Ciganas do Brasil, pelo Programa Diálogos Comunitários (em parceria com o Ministério Público/MG), por Advogadas e Advogadas Populares, pelo Ministério Público Federal, entre outros,   mobiliza-se em defesa da Comunidade Cigana São Pedro.  Todo apoio e solidariedade ao Povo Cigano nessa luta por respeito aos seus direitos, à sua dignidade!

*Filmagem feita por Valdinalva Barbosa Caldas, da Comunidade Cigana São Pedro. Apoio: Frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, da Equipe de Comunicação do CPT-MG. Ibirité/MG, 25 de maio de 2018.

* Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander e assista a outros vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar, compartilhe. Sugerimos.



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Luta dos indígenas em BH/MG: o direito à sua identidade, à sua cultura. ...

Luta dos indígenas em Belo Horizonte, MG: o direito à sua identidade, à sua cultura. CEDEFES – 2ª Parte – 23/4/2018.

Terras roubadas, extermínio de etnias, destruição da cultura indígena, escravidão... Como se não bastassem tantas agressões ao longo da história, ainda hoje, os indígenas precisam lutar todos os dias contra o preconceito e a ignorância. Em Belo Horizonte, MG, povos indígenas decidem unir-se, denunciar os maltratos sofridos e lutar pelo direito à cidade e de nela viver a sua identidade, sua cultura, sem serem perseguidos pela Polícia Militar de Minas Gerais, sem serem violentados pela discriminação e consequente exclusão. Essa violação de direitos de que são vítimas os indígenas na capital mineira foi um dos pontos principais abordados na Roda de Conversa realizada no CEDEFES (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva - www.cedefes.org.br ),em Belo Horizonte/MG, no dia 23/4/2018, que teve como tema: “Direitos Indígenas e a questão ambiental: partilhando reflexões para a luta” e contou com a participação de várias lideranças indígenas, da Professora Dra. Alenice Baeta, Historiadora e Arqueóloga, e outros/as integrantes do CEDEFES, do frei Gilvander Moreira, da CPT-MG, do Pablo, da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), entre outros.

*Filmagem de frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, da Equipe de Comunicação da CPT-MG. Belo Horizonte/MG, 23 de abril de 2018.

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Palavra Ética TVC/BH: XIV Intereclesial das CEBs, em Londrina, PR. CEBs ...

Palavra Ética na TVC/BH sobre o XIV Intereclesial das CEBs, em Londrina, PR, de 23 a 27/5/2018.



Com apresentação de frei Gilvander Moreira, o programa Palavra Ética na TVC/BH - www.tvcbh.com.br - versou sobre o XIV Intereclesial das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), em Londrina, PR, que teve como tema: CEBs e desafios urbanos . O programa foi exibido na TVC/BH na semana de 20/2/2018. O programa é composto por entrevistas que frei Gilvander gravou durante o XIV Intereclesial das CEBs.



Palavra Ética TVC/BH: XIV Intereclesial das CEBs, em Londrina, PR. CEBs ...

Palavra Ética na TVC/BH sobre o XIV Intereclesial das CEBs, em Londrina, PR, de 23 a 27/5/2018.



Com apresentação de frei Gilvander Moreira, o programa Palavra Ética na TVC/BH - www.tvcbh.com.br - versou sobre o XIV Intereclesial das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), em Londrina, PR, que teve como tema: CEBs e desafios urbanos . O programa foi exibido na TVC/BH na semana de 20/2/2018. O programa é composto por entrevistas que frei Gilvander gravou durante o XIV Intereclesial das CEBs.



sexta-feira, 25 de maio de 2018

Reocupação da Fazenda Canta Galo/Nova Serrana/MG: pelo rio Pará, por ter...

Reocupação da Fazenda Canta Galo, em Nova Serrana/MG: pelo rio Pará, pelo direito à terra e à moradia. 25/5/2018.

Pelo Rio Pará, e por terra e moradia para as mais de 100 famílias do Acampamento Nova Jerusalém, a FAZENDA CANTA GALO, situada no MUNICÍPIO DE NOVA SERRANA, MG, foi REOCUPADA ontem, dia 24/05/2018,  quinta-feira, por volta das 19h, pelos moradores, trabalhadores e trabalhadoras do campo, que dela foram despejados, injustamente, inconstitucionalmente e covardemente. dia 26/4/2018, após morarem e trabalharem na Fazenda Canta Galo por 6 anos, terem construído mais de 80 casas de alvenaria e estarem cultivando mais de 60 hectares de plantações: quintais, hortas, legumes, mandioca etc., alimentos saudáveis, sem agrotóxicos.  Apesar de encontrarem tudo praticamente destruído, as famílias, firmes na luta e resistência, vão se organizando novamente na Ocupação-Comunidade Nova Jerusalém, e manifestam-se determinadas a permanecer na fazenda Canta Galo.  Assista ao vídeo com depoimento de moradores.

*Filmagem feita por Luciana, da Ocupação-Comunidade Nova Jerusalém. Apoio: Frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, da Equipe de Comunicação da CPT-MG. Nova Serrana/MG, 25/5/2018.

* Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander e assista a outros vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar, compartilhe. Sugerimos.



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No CEDEFES: INDÍGENAS EM BH/MG: PRECONCEITO, DISCRIMINAÇÃO E VIOLÊNCIA. ...

NO
CEDEFES/BH: INDÍGENAS EM BELO HORIZONTE/MG: PRECONCEITO, DISCRIMINAÇÃO E
VIOLÊNCIA. 1ª PARTE –  23/4/2018.

Aconteceu no CEDEFES (Centro
de Documentação Eloy Ferreira da Silva - www.cedefes.org.br ), em Belo
Horizonte/MG,  no dia 23/4/2018, uma Roda
de Conversa com o tema: “Direitos Indígenas e a questão ambiental: partilhando
reflexões para a luta”.  Várias
lideranças indígenas participaram do evento, que contou também com a
participação da Professora Dra. Alenice Baeta, Historiadora e Arqueóloga, e
outros/as integrantes do CEDEFES, do Frei Gilvander Moreira, pela CPT-MG
(Comissão Pastoral da Terra), entre outros/as. Nesse vídeo, a 1ª parte do  registro de graves denúncias de lideranças
indígenas:  assassinatos de
indígenas,  preconceito e  violência que os indígenas têm sofrido na
região metropolitana de Belo Horizonte e 
dificuldades que enfrentam para expor e vender seu artesanato e usar o
transporte público.

*Filmagem de frei Gilvander
Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI. Edição de Nádia Oliveira, da Equipe de
Comunicação da CPT/MG. Belo Horizonte/MG, 23/4/2018.

* Inscreva-se no You Tube,
no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link:
https://www.youtube.com/user/fgilvander e assista a outros vídeos de luta por
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Famílias despejadas da Comunidade Nova Jerusalém REOCUPAM a fazenda Canta Galo, em Nova Serrana, MG. A tensão é grande no local.


Famílias despejadas da Comunidade Nova Jerusalém REOCUPAM a fazenda Canta Galo, em Nova Serrana, MG. A tensão é grande no local.


Pelo Rio Pará, e por terra e moradia para as mais de 100 famílias do Acampamento Nova Jerusalém, a FAZENDA CANTA GALO, situada no MUNICIPIO DE NOVA SERRANA, MG, foi REOCUPADA ontem, dia 24/05/2018,  quinta-feira, por volta das 19h, pelos moradores, trabalhadores e trabalhadoras do campo, que dela foram despejados, injustamente, inconstitucionalmente e covardemente. dia 26 de abril de 2018, após morarem e trabalharem na Fazenda Canta Gala por 6 anos, terem construído mais de 80 casas de alvenaria e estarem cultivando mais de 60 hectares de plantações: quintais, hortas, legumes, mandioca etc., alimentos saudáveis, sem agrotóxicos.
A reocupação acontece após os TRÊS despejos realizados de forma ARBITRÁRIA, com uma TROPA DE MAIS DE 300 policiais da Polícia Militar de Minas Gerais. Mesmo com a FORMA PACÍFICA dos/as TRABALHADORES/RAS, a Comunidade Nova Jerusalém passou nos dias 26 e 27 de abril ÚLTIMO, por TRÊS HUMILHANTES DESPEJOS, os dois últimos sem decisão judicial; além de injustos, ilegais. A Fazenda Canta Galo é de propriedade do Estado de Minas Gerais e foi cedida pelo Estado de MG ao município de Nova Serrana, para construção de um Aterro Sanitário, onde nunca houve investimentos dos municípios da região. Até o momento o que a sociedade presencia são irregularidades, tais como: ARRENDAMENTO da Fazenda Canta Galo, do Estado de Minas Gerais, frisamos, PARA ENGORDAR GADO DE AUTORIDADES DO MUNICÍPIO, segundo vizinhos da fazenda Canta Galo. O Elias e Egídio são os ganham com a engorda de gado na fazenda Canta Galo e o Prefeito do município de Pitangui, Marcílio Valadares (do PSDB) é conivente.
A SEDE da Fazenda Canta Galo está sendo UTILIZADA PELA SRA.TEREZINHA, vizinha da FAZENDA. Cumpre recordar que ao ser ocupada por mais de 120 famílias há seis anos, a fazenda Canta Galo estava totalmente abandonada, ociosa, sem cumprir a função social. Frisamos também que a fazenda Canta Galo é banhada pelo Rio Pará, um dos grandes afluentes do rio Francisco, que irriga 15 municípios antes de desaguar suas águas no Velho Chico. Construir um aterro Sanitário em área ambiental, ao lado do Rio Pará é um crime ambiental, uma injustiça que clama aos céus. O rio Pará clama para ser preservado e não pode ser contaminado com chorume e resíduos químicos.
Por estas INJUSTICAS E IRREGULARIDADES JÁ DENUNCIADAS, as famílias REOCUPAM A FAZENDA CANTA GALO, pois NAO ACHAM JUSTO serem despejadas de SUAS CASAS E DA TERRA ONDE VIVIAM DIGNAMENTE E PERMANECEREM JOGADAS ÀS MARGENS DO RIO PARÁ, DORMINDO EM BARRACAS DE LONAS, ao RELENTO, SOB O FRIO, INTEMPÉRIES E AMEAÇAS DE JAGUNÇOS, enquanto EMPRESÁRIOS E AUTORIDADES LOCAIS USUFRUEM da fazenda Canta Galo, do Estado, para acumularem capitais, se enriquecerem e destruírem os POUCOS PERTENCECES das famílias construídos na Fazenda Canta Galo: casas, quintais, cercas, eletrificação etc. Tudo isso feito com muito suor e luta. A LUTA É LEGITIMA e NECESSÁRIA! SEGUIREMOS EM LUTA!
TERRA, TRABALHO e LIBERDADE!

Assinam essa Nota:
Coordenação do Acampamento Nova Jerusalém
Frente Nacional de Luta (FNL)
Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG).

Nova Serrana, centro-oeste de MG, 25/5/2018.






quarta-feira, 23 de maio de 2018

Na luta por direitos, desrespeitou um/a, desrespeitou todos/as.Resiste, ...

Na luta por direitos, desrespeitou um/a, desrespeitou todos/as. Resiste, Carolina!/4ª parte/09/5/2018.

Nesse tempo de usurpação crescente de direitos, resistir é a palavra-chave. Ainda mais quando se trata da luta por moradia digna. Enquanto morar for um privilégio, enquanto a especulação imobiliária tiver prioridade sobre política habitacional séria, que atenda aos trabalhadoras e trabalhadoras, ocupar é um direito e um dever. Ocupar e resistir. A Ocupação-Carolina Maria de Jesus, do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas) e Rede de Apoio mantêm-se firmes diante da notificação de iminente despejo e abertos à negociação. A Ocupação do prédio no centro de Belo Horizonte, na Avenida Afonso Pena, 2.300, além da luta pelo sagrado direito à moradia, trata também do direito ao centro da cidade com todos os equipamentos públicos disponibilizados, facilitando a vida dos que dele dependem. A organização e a estrutura coletiva da Ocupação fortalecem ainda mais essa resistência. O bem comum é possível. Resiste, Carolina! *

Filmagem feita por Stéfane, moradora da Ocupação Carolina Maria de Jesus.
Apoio de frei Gilvander Moreira, da CPT, das CEBs e do CEBI.
Edição de Nádia Oliveira, da Equipe de Comunicação da CPT-MG. Belo Horizonte/MG, 09/5/2018.

* Inscreva-se no You Tube, no Canal Frei Gilvander Luta pela Terra e por Direitos, no link: https://www.youtube.com/user/fgilvander e assista a outros vídeos de luta por direitos sociais. Se assistir e gostar, compartilhe. Sugerimos.



#freigilvander


terça-feira, 22 de maio de 2018

Deus também é cigano. Dia 24/5, Dia Nacional dos Ciganos. O que comemorar? Resistência e Luta na Região Metropolitana de Belo Horizonte.


Deus também é cigano. Dia 24 de maio, Dia Nacional dos Ciganos.

Por Gilvander Luís Moreira[1]


Que beleza que o CEDEFES e a professora Dra. Alenice Baeta estão comprometidos com a luta justa, legítima e necessária das Comunidades Ciganas em Minas Gerais. Há alguns anos, entrevistei na TVC/BH Bernadete Lage, uma lutadora em defesa da causa dos ciganos em Minas Gerais, e também o Carlos, cigano da comunidade cigana do bairro São Gabriel, em Belo Horizonte, MG. Inesquecível ver e ouvir a paixão e o encantamento com o qual Bernadete e Carlos falavam das belezas da cultura cigana. Ao ouvir Carlos, um cigano, e Bernadete, alguém que se apaixonou pela causa das Comunidades Ciganas, ouvi dentro de mim uma voz que dizia: “Deus também é cigano!” Em Minas Gerais, estima-se que existam mais de 100 mil ciganos, povo milenar oprimido e injustiçado, povo que carrega e cultiva uma cultura linda. Logo, reforço aqui a reivindicação para que a prefeitura de Ibirité arrume terreno com condições adequadas para acolher a Comunidade Cigana do Acampamento São Pedro. Inadmissível violentar a dignidade humana das pessoas ciganas, negando-lhes a terra que lhes é de direito. E pior, negar terra para os ciganos para doar terreno para empresas que irão acumular capital é um crime que clama aos céus. Em breve, visitarei a Comunidade Cigana de São Pedro em Ibirité, MG. Espero não ter que fazer uma reportagem em vídeo e escrever texto para denunciar o prefeito e todo o poder público municipal de Ibirité. Em nome do Dia Internacional dos Ciganos, dia 24 de maio, pedimos: Prefeito de Ibirité, atenda às justas e legítimas reivindicações da Comunidade Cigana que está aí em Ibirité, e se torne um bom exemplo para todas os municípios de MG, onde estão 100 mil ciganos, nossos irmãos que cultivam uma cultura milenar linda, e esperam de quem não é cigano respeito pelo seu jeito de ser e agir. A cultura cigana nos humaniza.
Abraço terno na luta em defesa dos injustiçados.
Frei Gilvander Moreira.



[1] Frei e padre da Ordem dos carmelitas; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, Itália; doutor em Educação pela FAE/UFMG; assessor da CPT, CEBI, SAB e Ocupações Urbanas. 
www.twitter.com/gilvanderluis        –     Face book: Gilvander Moreira III



O que comemorar no Dia Nacional do Cigano? Resistência e Luta na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Por Alenice Baeta


Apesar do dia Nacional do Cigano, 24 de Maio, estar se aproximando, boa parte de suas lideranças não conseguem pensar em organizar celebrações como gostariam, pois se encontram mobilizadas temendo ordem de despejo em muitos de seus acampamentos e ranchos em diversas localidades do estado.
Lamentavelmente este é o caso do Acampamento São Pedro, situado no município de Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte-RMBH, Minas Gerais. As lideranças ciganas Valdinalva Caldas e Itamar Soares, contam que têm tentado, sem sucesso, chegar a um acordo com a Prefeitura de Ibirité há meses. Segundo elas, já houve encontros com o Prefeito Sr. William Parreiras e reuniões com o Procurador Municipal Dr. Wagner Miguel, atual Secretário de Governo, Sr. Reinaldo Oliveira e demais representantes do poder público municipal, que teriam prometido a definição de uma área com infraestrutura adequada – água limpa, banheiro e energia elétrica, pois há crianças, jovens e idosos no acampamento.
Atualmente o acampamento está em um terreno público considerado oficialmente como “área verde”, mas estranhamente, quando as primeiras famílias ciganas ali chegaram, já encontram um terreno com lixo e entulho.  O que mais chama a atenção é que a Prefeitura parece pretender doar justo esta “área verde” para duas empresas e por isto quer que as famílias ciganas desocupem este local, todavia, não indicou um novo terreno adequado para elas se instalarem.
No dia 21 de Maio houve uma audiência entre as lideranças supracitadas, que foram acompanhadas por membro da ONG CEDEFES-Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva, e representantes do município, que assustadoramente não apresentaram nenhuma proposição ou solução oficial para as lideranças, contradizendo assim todas as tratativas, negociações e promessas feitas até então. Não houve acordo algum nessa audiência, exigindo que as lideranças tivessem que solicitar no Fórum de Ibirité a nomeação de um advogado que as defenda em curtíssimo prazo.  Agora, o grande temor das famílias é uma futura ordem de despejo, o que seria um grande desrespeito à dignidade humana deste milenar povo tradicional itinerante e suas associações.
O que leva um poder público e seus representantes a preferirem doar esse terreno a empresas particulares, sem nenhuma alternativa ou proposta de usufruto de outra área para o acampamento cigano aqui focalizado, ferindo frontalmente os direitos constituídos em nível internacional e nacional de um grupo tradicional?
Bom lembrar às autoridades municipais e seu secretariado, em especial os que atuam no âmbito do governo, cultura, desenvolvimento social e meio ambiente, que desde o século XVI há registros de clãs ciganas no Brasil e que esta minoria étnica é considerada uma das mais vulneráveis, de acordo com as agências internacionais e a ONU, sendo que as suas tendas,  acampamentos e ranchos configuram-se como lar ou asilo inviolável. Os ciganos continuam sendo vítimas de procedimentos racistas, discriminatórios, xenófobos e intolerantes, por isto, espera-se que o poder público de Ibirité se comprometa, para além de discursos e promessas, em romper de forma prática e eficaz as cruéis barreiras do “Racismo Institucional” buscando soluções exemplares e alternativas comprometidas com a inclusão social, diversidade cultural e a valorização das tradições étnicas e culturais ciganas.
Destaque: Líderes Ciganos do Acampamento São Pedro no município de Ibirité-RMBH. Foto: A. Baeta – Maio de 2018.

Sabedoria: “Os justos vivem para sempre”


Sabedoria: “Os justos vivem para sempre”
Por Gilvander Luís Moreira[1]


No livro da Sabedoria, em Sab 3,1-12, pela primeira vez na Bíblia, surge a ideia de imortalidade de forma assertiva e categórica e não como apenas expressando um desejo de que o justo fosse salvo para sempre – como nos outros livros sapienciais bíblicos. Mas o pensamento semítico e judaico, desde séculos, buscava caminhos de transformar esse desejo em uma certeza de fé. A filosofia grega forneceu ao autor do livro de Sabedoria conceitos que expressassem de forma mais exata o desejo do justo: os conceitos de imortalidade (athanasia) e incorruptibilidade (aphtarsía), que não existiam na língua hebraica. Escrevendo em grego, mas com cabeça hebraica, o autor do livro da Sabedoria usou os termos da filosofia helênica para se expressar mais exatamente.
Certamente houve influência da filosofia grega, disseminada pela cultura helenista durante o período de glória do imperialismo grego que, através de guerras e invasões anexou muitos territórios de outros povos. Mais do que apenas defender a vida pós-morte, o sábio autor do Livro da Sabedoria enfatiza um tipo de fé revolucionária que carrega a seguinte convicção: os justos viverão para sempre e os injustos serão aniquilados. Em consonância com a defesa do estilo de vida das pessoas justas, em Sabedoria 3,8 se afirma outra utopia revolucionária: “Os justos governarão as nações, (...) e Deus reinará para sempre sobre eles”. Esse tipo de fé é imprescindível para sustentar a caminhada e luta de quem se dedica a viver na contramão do sistema opressor, no nosso caso, o sistema do capital, pois mostra que vale a pena ser pessoa justa e dedicar-se à construção de uma sociedade justa, solidária, ecumênica e sustentável ecologicamente, o que passa necessariamente pela superação do capitalismo, máquina de moer vidas humanas e vidas de todos os seres vivos.
Isso é verdadeiro, libertador e, certamente, não exclui a fé e a esperança na imortalidade pessoal de cada justo, que se expressa em muitos Salmos e no próprio Livro de Jó: “Eu sei que o meu Redentor está vivo e que no fim se levantará acima do pó. (...) Eu mesmo o verei e não outro; eu o verei com meus próprios olhos” (Jó 19,25.27). A fé em Deus, que nos ama e nos quer dar a imortalidade, é uma aposta que vale a pena ser feita! Apoia-se na convicção de que Deus é justo, e “criou a pessoa humana para ser incorruptível e a fez à imagem da sua própria natureza.” (Sab 2,23).
Em Sab 3,13-4,6, o autor da Sabedoria dessacraliza a concepção judaica segundo a qual a reprodução da família judaica se dava através da produção de filhos, por meio dos quais continuaria a herança dos pais. Em ambiente de intensa idolatria e exploração da dignidade humana, o sábio alerta que é melhor ser estéril do que gerar filhos opressores, adeptos da ideologia dominante. Casar com filho de família opressora pode corroer a fina flor da experiência de fraternidade do povo. É o que atesta Sab 3,13. Em Sab 4,1 o sábio autor aponta a alternativa sensata a não ter filhos: “É melhor não ter filhos e possuir a virtude, porque a memória da virtude é imortal...” (Sab 4,1). Aqui o livro da Sabedoria faz uma “revolução copernicana”: não mais o simples reproduzir a prole para se ter futuro, mas cultivar virtude, ou seja, ser pessoa justa segundo um conhecimento que liberta - o que não é, logicamente, a ideologia dominante, mas são saberes que envolvem as pessoas na luta pelo bem comum sem discriminar ninguém e nada.
As pessoas injustas se tornarão para sempre cadáveres desonrados e objetos de zombaria entre os mortos (...) e a memória delas desaparecerá” (Sab 4,19). Ao contrário, as pessoas justas, mesmo que tenham vida curta, “quando morrem, condenam os injustos que continuam a viver” (Sab 4,16). Assim acontece com todos os/as oprimidos/as da história: fazem história e permanecem na história os que são justos e militam na defesa da justiça, no sentido da construção do bem comum para todos sem nenhuma discriminação ou privilégio. “Os justos vivem para sempre” (Sab 5,15), assevera o sábio autor da Sabedoria. Possuído pela ira divina, o sábio antevê que nas contradições assumidas pelos injustos e opressores “eles serão devastados e a própria maldade deles derrubará o trono deles” (Sab 5,23), pois o projeto dos opressores é um projeto de morte, assassino e suicida.
Em Sab 6,1-11 o sábio autor aponta que os governantes devem governar com justiça, que é: defender os empobrecidos e injustiçados diante daqueles que os exploram. A responsabilidade das autoridades é muito grande, pois das decisões delas depende a vida do povo. Todos serão julgados proporcionalmente, de acordo com a repercussão social das suas ações. As autoridades terão julgamento divino implacável (Sab 6,5), pois das decisões delas dependem a vida e a liberdade do povo. O Deus de Sabedoria não é neutro, pelo contrário, coloca-se explicitamente ao lado dos injustiçados: “Os pequenos serão perdoados com misericórdia, mas os poderosos serão examinados com rigor” (Sab 6,6.8).
O autor demonstra que a Sabedoria não é acessível apenas aos ricos e estudados, mas ela é democrática e acessível a todos, pois nascemos e nos despedimos desse mundo de forma semelhante: nus, sem trazer e sem levar nada (Cf. Sab 7,6). O sábio é aquele que prefere a sabedoria e não cetros e tronos; é aquele que considera a acumulação capitalista como palha que o vento leva e o fogo devora (Sab 7,8-9). Por essa perspectiva, em uma linguagem atualizada, podemos afirmar que a pessoa sábia não se deixa conduzir pelas seduções da sociedade capitalista, não dedica a vida a acumular riqueza e gozar poder, mas vive e convive de forma simples e austera, sendo assim coerente com o projeto do Deus da vida que quer vida e liberdade em abundância para todos/as e tudo.
O autor do Livro da Sabedoria compreende que o “senso comum” disseminado pelos injustos domina a consciência da maioria das pessoas. Em uma linguagem atual, podemos dizer que a ideologia dominante e hegemônica tem muito poder, conforme nos ensina István Mészáros, falecido dia 02 de outubro de 2017: “A ideologia dominante tem uma capacidade muito maior de estipular aquilo que pode ser considerado como critério legítimo de avaliação do conflito, na medida em que controla efetivamente as instituições culturais e políticas da sociedade.[2]
Enfim, o sentido da vida está em ser pessoa justa e, por isso, comprometida com as lutas libertárias dos povos injustiçados. Os injustos como palha no fogo desaparecerão da história. Feliz quem não se deixa seduzir pelo canto da sereia do sistema do capital que reduz tudo a mercadoria e aniquila o humano que clama para ser cultivado em nós.

Referências Bibliográficas
MÉSZÁROS, István. O Poder da Ideologia. São Paulo: Ensaio, 1996.

Belo Horizonte, MG, 22/5/2018.

Obs.: Os vídeos, abaixo, ilustram o texto, acima.


1)   Palavra Ética na TVC/BH com Tio Maurício (Maurício Alves Pereira), servidor dos pobres da rua. 05/12/2012.

2)   Fila do Povo da Ocupação Eliana Silva, na ALEMG, em Belo Horizonte: Mães e Crianças clamam por moradia. 06/09/2012.

3)   Fila do Povo da Ocupação Eliana Silva na ALEMG, em Belo Horizonte: Palavras de fogo. Quem ouvirá? 06/09/2012.






[1] Frei e padre da Ordem dos carmelitas; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, Itália; doutor em Educação pela FAE/UFMG; assessor da CPT, CEBI, SAB e Ocupações Urbanas. 
www.twitter.com/gilvanderluis             Face book: Gilvander Moreira III

15. MÉSZÁROS, István. 1996, p. 15.